terça-feira, 22 de março de 2011

O Jovem Universitário




Hoje, em minha produtiva caminhada à faculdade, me deparei com o pensamento de quão incrível é que as pessoas mais desafortunadas e desesperadas estejam mais próximas de Deus que as mais abastadas. Pelo menos, é isso que percebo ao ler a Bíblia. Os cegos, os coxos, os endemoniados, os menos importantes e os mais mal vistos da sociedade (situação inclusive de muitos que viraram apóstolos) se entregaram a Jesus com uma facilidade incrível. Enquanto outros, que conheciam melhor as profecias sobre o Messias, resistiram até a morte.

Talvez esse fato seja uma revelação do carinho do Pai com os mais necessitados, como é mostrado nas parábolas de Jesus e no Antigo Testamento. Mas, acredito eu, existe ainda outro fator que pesa a favor dessa gente, que me veio à mente enquanto eu pensava na viúva de Sarepta (1Reis 17). Aquela mulher, a quem o profeta foi enviado, estava no auge do desespero, hora em que aparentemente, ao invés de atitudes escandalosas e exageradas, as pessoas parecem enfrentar a realidade de modo pacífico e sereno, quase surreal (me corrijam os estudantes de Psicologia). E justamente quando ela estava juntando lenha para a última refeição, pois iria comer e esperar a morte com seu filho, eis que surge um homem falando que Deus o havia enviado e que ela lhe desse de comer. Por que não, então, apostar as últimas fichas nele?

Essa realidade me fez pensar que as pessoas descritas no início deste texto vêem Deus como única e real opção e saída. Elas já lutaram até o limite das forças, até o desespero. Então, Deus torna-se visível aos olhos com maior clareza e fica fácil entender o quanto dependem d'Ele. Isso entra em contraste com a posição dos fariseus e, mais propriamente dito, com a do Jovem Rico (Mt 19:16-22).  Diante dessa diferença, percebi o quanto nós, jovens universitários cristãos, estamos mais perto deste último do que dos primeiros.

Somos os “Jovens Ricos” do nosso tempo. Talvez não sejamos cheios da grana. Mas fazemos parte da elite intelectual de um grande país. Somos responsáveis,  a médio e longo prazo, pelo futuro da nação. E nossas perspectivas de vida são melhores que a da maioria dos brasileiros.

Assim como o jovem do texto, estamos longe do desespero. Se alguma coisa nos falta, podemos lançar mão da nossa riqueza intelectual, ou das nossas capacidades e competências, ou da nossa força de trabalho, ou ainda do vasto network que construímos ao longo do tempo na universidade. Somos fortes, um exemplo de sucesso na sociedade. O orgulho de nossos pais e parentes. Em nós não se acha falha alguma. E ainda mais: muitos vieram de famílias de valores "elevados". Temos, portanto, um comportamento educado, condizente com uma vida reta. Não matamos, não mentimos nem roubamos. Respeitamos os mais velhos, damos os dízimos e alcançamos o sucesso legitimamente. Alguma semelhança?

O Jovem Rico se entristeceu diante do chamado do Mestre: "abra mão de tudo e me siga". E quantos de nós também hesitamos, pensando em tudo o que viríamos a perder ao "abrir mão"! Nossa carreira, nossa formação, nossa bolsa de estágio, a oportunidade de mestrado, um emprego melhor... Isso nos assusta (se não a vocês, a mim ao menos). É muito fácil abrir mão quando não se tem nada (ou quase nada) a perder como a viúva de Sarepta. Mas, e nós? Não seríamos um caso diferente?

Jesus é bem claro em seu chamado (Mt 16:24). E começa com um convite dirigido a todos a negar-se a si mesmo. Todos os que se entregaram integralmente a Cristo receberam herança melhor. E, assim como ele convidou o Jovem Rico de outrora a abrir mão de suas propriedades e segui-lo (o homem que vai a caminho da cruz), o Mestre nos chama hoje para abrirmos mão de nossas "propriedades intelectuais". Para deixarmos de lado os vestígios de arrogância que há nos nossos corações e nos entregarmos completa e irrestritamente a Ele.

Somos competentes, inteligentes e capazes? Somos! Porque d'Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas.


escrito por Marcus R.

2 comentários:

Pabline Felix disse...

Nó, Marcus, muito muito legal!
Achei o texto excelente, e me confrontou, de verdade.

Deus que abençoe!

Igor Richielli disse...

Legal o texto! Falhamos constantemente querendo independência em tudo, nessa cultura faça-você-mesmo. Mas essas falhas acabam nos mostrando que somos totalmente dependentes de Deus.